Tela de Gustav Klimt

 

 

Entre Devaneios e Poesia

 

Hoje o dia está cinza

como a madrugada que fica em silêncio.

 

Cansei de ser cordial aos outros e não aos meus sentimentos.

Cansei de permanecer acordada quando a vontade era adormecer

sem pensamentos mundanos, sem freio de mão na viagem.

 

Aprendi a ser doce, mas não desaprendi a ser amarga comigo mesmo

Preocupo-me com a imagem refletida, esquecendo da imagem q. se projeta

sem licença para dentro de mim.

Meu filho é magia.

Minha vida um devaneio.

 

O mundo é hostil.

Tudo se mastiga e depois volta a fermentar

em algum lugar, em um canto qualquer.

Os animais sentem a presença e se envaidecem disso.

São fortes pq. usam os sentidos para entender o mundo,

e ensina tudo através dos olhos...onde só alguns conseguem penetrar.

 

Estou cansada de tantas falsidades...tanta maldade...tantas arbitariedades.

O mundo gira e somos pequenos como um pólen de uma flor...

que tem o poder de se procriar, mas apenas se alastra como erva daninha.

Onde estão as flores?

Onde está seu perfume?

Onde estamos nós diante a nós mesmo?

Os lobos uivam em desespero pedindo socorro a lua.

 

"Eu vi a estrela cadente

Cair levemente

Morrer de repente

Como uma centelha rápida.

O céu estava coalhado

Eu andava numa estrada velha

Onde as árvores viravam figuras

Pareciam aves, pareciam leões.

Era um impulso

Um filme infinito

A noite estava bonita

E iluminava as emoções.

Existia paz

Não havia jogo ou azar

Truque ou sorte

Só paz nos corações."

(Cássio Marcos Amaral)

Meus amigos, este poema é de um GRANDE e GIGANTESCO poeta-amigo brasileiro...Cássio ou Cão como as vezes ele é carinhosamente chamado, escreve como se os anjos e os magos pegassem a sua mão dando contorno e cores neste planeta; talvez por esse motivo tenha um livro chamado "Estrelas Cadentes" que vale muito a pena ser lido e sentido...como vários outros publicados. Entrem no blog dele que vocês irão curtir bastante: http://www.cassioamaral.zip.net

 

 

"Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes.

Assim como em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive."

(Fernando Pessoa)

                                                            Tela de Paula

"Não creio ser um homem que saiba.

Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas nem nos livros:

começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim.

Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas;

sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho,

como a vida de todos os homens que não querem mais mentir a si mesmos."

(Hermann Hesse, em Demian)

"eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha."

 

(Paulo Leminski)

“Cada um de nós vive contente e apaziguado em seu mundo de aparências e em seu mapa, até que uma represa rompida ou alguma terrível compreensão de repente o faça sentir que a realidade, o tremendo, o terrivelmente belo ou terrivelmente pavoroso desabam e o abraçam e arrebatam fatalmente, sem saída.

Esse estado, essa iluminação ou esse despertar, essa vida na realidade nua jamais dura muito tempo, pois carrega em si a morte, sempre que ataca uma pessoa e a lança no tremendo redemoinho ela dura exatamente o tempo em que alguém a pode suportar, depois termina com a morte ou com fuga desabalada e volta para o não-real, o suportável, morna e ordenada dos conceitos, dos sistemas, dos dógmas e alegorias, vivemos nove décimos de nossa vida...”

 

(Texto tirado do livro “Felicidade” de Hermann Hesse)

 

Vago dia a dia em pensamentos...as vezes me desespero, outros dias me alegro...e o barco continua quebrando as ondas que "se achegam". Na noite iluminada de estrelas faço sempre um pedido e acredito que a luz que ali ainda permanece irá conduzir a tudo que é bom e justo.

Tenho a certeza que o bem DEVE vencer o mal, não posso me permitir acreditar que tenha algo superior ao amor. O amor que sinto por minha família, meus GRANDES novos e velhos amigos, aos bichos que me dão paz... A paz que a natureza ensina através de gestos simples e doces.

Meu filho é magia. Me leva ao extase do que posso e aguento sentir. Sou a música que toca sem ritmo. Na balada de um tempo onde não se pode acreditar no perfume de todas as flores.

O que posso dizer do mundo?

O que posso dizer de mim?

Devaneios

(Tela de Armando Merege)

Na tela o registro de uma existência talvez perdida no tempo e em algum momento.

O rosto no gosto de quem vê e sente como sabor azedo do limão que saceia a sede.

Sou publicitária na criação de devaneios. Poeta (?) na sensação humana.

Sou metade homem e metade de tudo que vejo.

O vento arremata e quase mata o sabor de tudo que estou vivendo.

Histórias, pensamentos, dores, olhares, amores...somos partículas do tempo no mundo em movimento.

 

CAIO

Pensei que havia visto todos os tipos de olhares.

Pensei que havia sentido todas as formas e possibilidades de amar.

Pensei que a pureza estava apenas,

num dia de sol,

num dia de chuva,

na lua prata que cintila o mar,

no cão que abana o rabo quando alguém o acaricia.

Percebi que um mínimo olhar seu me enche de sensações,

e o mais pequeno som, seja do que for, parece falar comigo.

Pensei que soubesse muita coisa.

Hoje,

 sei que o olhar mais profundo, a pureza e o jeito de amar mais poético

só você, CAIO, pôde me mostrar.

Vem o medo e a responsabilidade de saber guiar esta inocência,

e mesmo assim com a certeza que você será do bem.

 

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