Tela de Hermann Hesse

"O Luar quando bate na relva

Não sei que coisa me lembra...

Lembra-me a voz da criada velha

Contando-me contos de fadas.

E de como Nossa Senhora vestida de mendiga

Andava à noite nas estradas

Socorrendo as crianças maltratadas...

Se eu já não posso crer que isso é verdade,

Para que bate o luar na relva?"

(Fernando Pessoa - Alberto Caeiro)

 

Fico pensando neste texto de Pessoa e me arrepio diante a imensidão da vida. Sinto que nada tem sentido se não houver o bom, o mágico...nada absoluto...apenas a verdade consigo mesmo.

Como a inocência nos conduz a um plano magnífico de sensações e força. Deixar de acreditar na fantasia é desacreditar em nós mesmos...somos realidade e fantasia, criamos um mundo para que possamos sobreviver e dele tirar toda a esperança perdida. Não poderá ser tudo ilusão? Não poderá tudo ser mágico? Acho que não depende mais do que se vê, mas da forma que se vê.

A fantasia se mistura a realidade, ou será a realidade uma fantasia (?).                                                                   De nada sabemos, mas uma coisa podemos dizer: é que sentimos...e esse caldeirão de sentimentos deve sempre fermentar e nos levar além dos horizontes...

 

 

UMA TOCCATA DE BACH

Primordial e rígido silêncio...as trevas reinam...

Um raio de luz irrompe

Da fenda em ziguezague que se abriu na nuvem;

Do cego inexistir, abarca as profundezas do universo.

Constrói espaços, e de luz revolve a noite,

Faz pressentir as cristas, cumes, aclives e grotas,

Torna os ares azuis, inconsistentes, e compacta a terra.

Num ato criador, o raio luminoso fende

Para a ação e a guerra a matriz germinantes:

A fulgurar inflama o mundo apavorado.

A sementeira de luz, por onde passa,

Vai transformando tudo, e organizando;

Magnífica ressoa, ao exaltar a vida,

e louvar a vitória da luz ao criador.

A luz se arroja num reflexo em direção de Deus,

Penetra pela agitação das criaturas,

no ímpeto imenso do Espírito-Pai.

Torna-se gozo e tristeza, fala, imagem e canto,

os mundos, um a um, vai plasmando em abóbada

da catedral nos arcos da vitória,

é ímpeto, espírito, é luta e ventura, é amor."

(Hermann Hesse - texto sobre Johann Sebastian Bach)

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