
Tela de Gustav Klimt
Em plena noite chuvosa as máscaras se desmembram
Momentos lúdicos com o silêncio das gotas
banhando o solo - que alimenta bicho e gente.
Quantas palavras rondando o pensamento.
Um momento sozinho basta, para sentir um ínfimo que seja
o falso silêncio - porque há sempre gotas pingando sobre o telhado.
As coisas vão se transformando numa bela paisagem,
pássaros voam em busca de novos horizontes e minhas pernas não
dão um passo a frente das estrelas.
Tenho medo de pensar questionando, porque pode ser mais explosivo
do que qualquer resposta.
Dá um calafrio na barriga e sinto o calor da luz beijar meu corpo.
Hoje estou nua e vejo a pele levantando lentamente como num
arrepio.
As vozes se juntam num grande mosaico e transformam em
música.
Dança, música, vinho e magia...uivo como loba e me entrego como
sol se entrega a lua.
Tudo isso para a essência musical dos meus versos inúteis.

Tela de Rene Magritte
Vento, sol e caracol
Na manhã úmida de relva
penso na vida da cidade,
tão nua e crua como a chuva que só cai
hoje o dia amanheceu em lágrimas,
que banham e dão vida às flores.
Serão lágrimas de Deus?
Os pássaros se abrigam a espera do sol - que brilha
incessantemente acima das nuvens.
O trovão solta palavras sem sentido. Serão palavras mágicas?
As plantas obedecem o balanço do vento e
se curvam dando referência a vida!

Tela de M.C. Escher
"No retrato que me faço
- traço a traço -
Às vezes me pinto nuvem,
Às vezes me pinto árvore...
Às vezes me pinto coisas
De que nem tenho mais lembrança...
Ou coisas que não existem
Mas que um dia existirão...
E, desta lida, em que me busco
- pouco a pouco -
Minha eterna semelhança.
No final, que restará?
Um desenho de criança...
corrigido por um louco!"
(Mário Quintana)

Tela de AGUILERA
Eu sei o que pulsa dentro de mim
eu sei o que muitas vezes me tira o sono
e impede de viver de forma mais leve e verdadeira.
Tudo pulsa na alma de forma profundamente destrutiva
tento construir um caminho diferente, um atalho talvez,
mas, minhas pernas me impedem de trilhá-lo.
Ouço barulho em meus pensamentos,
eles dominam e me jogam a um abismo
escuro e longíquo...
vou descendo diante a escuridão e num choro abrasivo
o coração estoura em mil pedacinhos inconcretos.
por que essa dor?
minha alma pergunta
e a resposta parte do vento.
o tempo vai carregando as folhas do caminho que construi em círculos
e sinto todo peso do mundo na alma.
A essência da vida chama-se amor
e o amor passa a ser um combate consigo mesmo, sem saídas disperças.
andar em círculos só aumenta a ansiedade de chegar algum lugar
o vento dá seu recado
não passarei novamente por esta estrada,porque ela é contínua
o sangue pulsa nas veias como uma corrida de cavalos velhos
o devaneio da vida pousa ao meu ombro
e num silêncio profundo abro um arco-íris.
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