Pessoas!! Vai aí uma dica que acho sensacional...

Está em cartaz no Teatro Imprensa aqui em Sampa a peça "Quando Nitzsche Chorou"

Adaptação do romance 'Quando Nietzsche Chorou', escrito pelo psiquiatra Irvin D. Yalom, o espetáculo trata de uma ficção, com personagens reais, que cria um suposto encontro entre o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e o médico vienense Josef Breuer, professor e amigo de Freud. Deste encontro surge um primordial e fictício tratamento psicanalítico, no qual muitas das questões da relação analista/analisando são criadas através do embate entre as posturas filosóficas de Nietzsche e a visão de mundo de Breuer.  Uma peça que une realidade e ficção, drama existencial e suspense, numa surpreendente trama sobre amor, autoconhecimento e amizade. Imperdível!

Beijos

"Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de que, mas é de qualquer coisa
Que tem que ver com haver gente que pensa...
 
Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me coisas...
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente...
 
Que pensará isto ou aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a Terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas coisas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o céu."
 
(Fernando Pessoa - Alberto Caeiro)

 Fernando Pessoa 1978

Assisti a uma peça sobre a vida e obra de Fernando Pessoa...onde tenho maior admiração (todos sabem), portanto, fica aqui uma dica pra quem curte teatro e Pessoa...Está em cartaz no teatro Tuca - Perdizes - Sampa!!!

Segue poema de 1913, Pessoa na pessoa de Álvaro de Campos.

 

"Quando olho para mim não me percebo.

Tenho tanto a mania de sentir

Que me extravio às vezes ao sair

Das próprias sensações que eu recebo.

 

O ar que respiro, este licor que bebo,

Pertencem ao meu modo de existir,

E eu nunca sei como hei de concluir

As sensações que a meu pesar concebo.

 

Nem nunca, propriamente reparei,

Se na verdade sinto o que sinto. Eu

Serei tal qual pareço em mim? Serei

 

Tal qual me julgo verdadeiramente?

Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,

Nem sei bem se sou eu quem em mim sente."

 

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