"...Mandei plantar, folhas de sonho no jardim do solar

as folhas sabem procurar pelo sol

e as raízes procurar, procurar,

mas as pessoas na sala de jantar

essas pessoas na sala de jantar,

são ocupadas em nascer e morrer..."

(Os Mutantes)

 

 

 

Curto “Os Mutantes” desde os 15 anos de idade, hoje estou com 32, meu primeiro álbum foi "Tudo foi feito pelo Sol" em vinil. Era uma capa dupla dura com o sol em forma de ovo sei lá...amarelo e por dentro fotos e as letras das músicas. Tenho a coleção completa dos Mutantes a maioria em fita (podem acreditar) mas foi o que permaneceu daquela época. Comprei apenas o Tudo foi feito pelo Sol em cd, porque o vinil virou pó junto ao tempo. Tive um amigo, hoje infelizmente falecido, que entendia de música mais que qualquer outro e até hoje não vi ninguém como ele. A casa onde ele morava não tinha móveis como uma casa comum, a sala era grande com almofadas no chão, sem televisão e sem enfeite algum...o único encantamento era a estante lotada de vinil, aparelho de som, fitas e até rolos (aqueles antigos) com músicas e vídeos dos Beathes. Ele era apaixonado por eles. E todas as vezes que colocava uma música pra tocar éramos obrigados a ouvir até o final, sem trocar de disco...em respeito – ele dizia – ao artista. E a todos eles reverenciava com muito carinho e admiração. Loucura?? Acho que não.

Sinto saudades, Lúcio, meu amigo. Ficou em mim apenas a essência da sua lembrança, a alegria a cada nota que pingava em nossos ouvidos. Éramos bem mais jovens que ele - “pirralhos”, em sua concepção, mas acho que ele adorava isso!!  Ele dizia sorrindo: - que geração maravilhosa! E dava um gole de vinho a cada música que iniciava. No final, ele já estava dançando no meio da sala em devaneio à música.

Era uma pessoa que não parecia desse mundo (será?). Ele tinha um amigo – que depois tornou-se amigo meu também. Que conhecia tudo de plantas e a casa dele não tinha muro – e não tem até hoje, acreditem. Ele dizia que os pássaros cuidavam da casa...ele tinha cachorro, gato, tartaruga (dentro de casa)...tudo vivendo em harmonia e por incrível que pareça nunca ouvi dizer que tivesse entrado algum ladrão em sua casa. As vezes ele se trancava por dias em meditação. Todos o chamavam de “Benzinho” e não pelo nome, era assim que ele se referia a todas as pessoas que cruzasse e assim ele ficou conhecido no bairro. Uma figura. De qualquer forma, foram pessoas que me acrescentaram em muitas coisas e me fizeram refletir muito sobre as coisas, sobre eu mesma e sobre o mundo. E assim, fui me tornando com certeza uma mutante. Alguém que apesar de tudo, acredita no melhor das pessoas...sempre!

Este show recente dos Mutantes aqui em Sampa foram mágicos pra mim, muitas lembranças boas e muita música em minha alma.

Sou pura música, toco por inteira.

É isso...

 

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